A conferência SOL/Foreign Policy reuniu em Lisboa personalidades proeminentes do panorama político e económico de Portugal, Brasil e Angola. Fernando Henrique Cardoso, Ramalho Eanes, Luís Amado, Aguinaldo Jaime, Ricardo Salgado e Zeinal Bava foram alguns dos oradores a defender o reforço do triângulo lusófono como solução para os actuais desafios económicos de Portugal e Angola e como espaço de afirmação do Brasil.
Chairman da conferência, o presidente do BES Ricardo Salgado afirmou em Lisboa que o desenvolvimento do triângulo Brasil – Angola – Portugal é «extremamente importante» para o futuro dos três países. O banqueiro português defendeu Portugal como «porta de entrada perfeita» para as companhias de Brasil e Angola, economias em forte crescimento, no espaço europeu. Em sentido inverso, a aposta portuguesa nos mercados brasileiro e angolano foi apontada por Ricardo Salgado como uma das «principais chaves» para desbloquear a difícil situação económica lusa.
Também o ex-Presidente português Ramalho Eanes considerou a cooperação entre países lusófonos como «estratégica» e mesmo uma luz ao fundo do túnel para Portugal, sendo ainda meio para a afirmação dos três países do triângulo nos respectivos continentes.
Fernando Henrique Cardoso, antigo chefe de Estado brasileiro, declarou que os povos lusófonos devem potenciar uma «plasticidade» e «criatividade» herdadas dos portugueses para vencerem no espaço global.
Rede global de negócios
«Não tenhamos dúvidas de que o sucesso das três maiores empresas portuguesas está ligado à forma olharam para este triângulo de forma ambiciosa», referiu o presidente da EDP António Mexia. «Temos de saber encarar a globalização como uma oportunidade e não como um problema. Todos temos a ganhar com o triângulo Angola, Portugal e Brasil», defendeu, sublinhando as vantagens do contacto entre os três países: «É mais fácil trabalhar com um elo comum porque facilita a capacidade de execução. Dá-nos mais capacidade de execução na internacionalização e é a estratégia mais inteligente de responder à globalização».
Também o presidente-executivo da PT defendeu o incremento da aposta transatlântica das empresas portuguesas, brasileiras e angolanas. «Acreditamos que no espaço onde toda a gente fala a mesma língua existem ainda oportunidades por explorar», disse Zeinal Bava, que anunciou que o investimento no Brasil e em Angola permanecerá uma prioridade para a empresa de telecomunicações lusas.
Poças Esteves, sócio gerente da consultora Saer do falecido Ernâni Lopes, autor do livro O Triângulo Virtuoso Angola – Brasil – Portugal, admitiu que «a lusofonia ainda é um longo caminho que todos temos que percorrer».
«Ainda não é um espaço articulado de negócios, nem um actor económico global, mas tem toda a capacidade para o ser», afirmou, apontando contudo para a possibilidade da transformação do triângulo numa «poderosa rede global».
Nesse sentido, o presidente da Agência Nacional de Investimentos Privados de Angola, Aguinaldo Jaime, anunciou na conferência de dia 13 que Luanda aprovará em breve uma nova lei que permitirá aos investidores externos, entre estes portugueses e brasileiros, o lançamento de projectos no país abaixo do limite de um milhão de euros actualmente em vigor.