Empresas portuguesas e brasileiras exploram oportunidades de franchising "com olho" na China

Portugal e Brasil são os únicos países lusófonos que participam este ano na Feira de Franchising de Macau, com quatro e oito empresas, respetivamente, que procuram expandir o negócio na segunda economia mundial.
A Loja do Condomínio, dedicada à administração de condomínios, conta com 80 lojas em Portugal e 40 em Espanha e tem agora como alvos Macau, Brasil e México numa estratégia que procura tirar partido da crise que tem retraído os empresários.
Ao referir que o objetivo é ter um "master franchising" em Macau que possa expandir a rede, Eduardo Verdelho, diretor de expansão da Loja do Condomínio, disse à Agência Lusa que se encontrar um agente económico e o negócio "funcionar bem", a empresa pondera estender a presença na Ásia.
Conseguir uma representação em Macau e Hong Kong é o grande objetivo da Art on Shoes, mas primeiro é preciso analisar a adequação do produto ao gosto do cliente chinês, sublinhou a responsável de marketing, Catarina Morgado.
"Se for preciso, teremos de fazer algumas alterações nos sapatos. Se sair daqui com uma representação firmada será muito bom, se sair com uma encomenda, melhor ainda", declarou.
A diretora da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) para Macau e Hong Kong, Mariana Oom, salientou a importância de as "empresas virem conhecer os mercados, falarem com potenciais parceiros, tanto mais numa altura de crise em que têm de ir para fora".
Para Eduardo Verdelho, a parca presença portuguesa na feira "reflete que os empresários têm medo de tentar a sua sorte lá fora, simplesmente porque estão assustados" por causa da crise.
"Sei que é pedir um esforço complementar de investimento, mas é muito difícil, sobretudo na China, fazer negócios se não se conhecerem os interlocutores cara-a-cara e criarem as relações de confiança típicas da Ásia", alertou Mariana Oom.
Já o Brasil, apesar de acolher a segunda maior feira mundial de franchising, em São Paulo, depois da de Paris, tem oito empresas no certame atraídas pelo crescimento das vendas do retalho na Região, de 38 por cento até março, para 840 milhões de euros.
"Interessa-nos Macau porque recebe cerca de 25 milhões de turistas por ano com alto poder aquisitivo e existe uma certa isenção tributária para quem começa a operar aqui e pode entrar no mercado chinês", explicou o diretor da Associação Brasileira de Franchising, Ricardo Camargo.
A 3.ª edição da Feira de Franchising de Macau, que arrancou hoje no resort The Venetian, conta com 156 expositores de 13 países e regiões.
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