
Nos séculos XVI e XVII, as imagens dos santos desempenhavam as funções básicas de representarem a materialização da fé e de serem símbolos de devoção.
Cem anos depois (século XVIII), a riqueza proporcionada pela descoberta do ouro no Brasil agregou novo sentido à representação das obras sacras. De símbolos de pura devoção elas passaram a agregar o duplo valor de objectos de ornamentação e ostentação de poder.
O antigo costume dos devotos de Portugal da oferenda de jóias às imagens dos santos de sua predilecção pôde ser finalmente realizado no seu melhor estilo - resplendores, coroas, brincos e demais adornos para as produzidas em prata e ouro, coloridas e com grande número de pedras preciosas incrustadas. (...)
Aleijadinho, Xavier de Brito, Mestre Athaíde, Mestre Valentim, entre tantos outros, todos de origem portuguesa, são alguns dos mais expressivos artistas do barroco brasileiro esculpido, talhado, pintado, concebido, enfim, nessa e a partir dessa época.
O novo fluxo de portugueses reintroduziu a confecção de peças em madeira, técnica absorvida de forma generalizada. A transformação de tocos e troncos de árvores em obras de arte através do entalhe tornou-se prática predominante no Brasil. Somente nas localidades mais isoladas e distantes das regiões que haviam enriquecido com o ouro, a técnica da modelagem do barro sobreviveu até e, ainda, por bom tempo no século XVIII. Mas até nesses locais - São Paulo e sertão da Bahia são exemplos - mesmo quando criadas em madeira, as obras mantiveram os traços, a simplicidade e as características mais rústicas do século XVII.
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