Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu no dia 9 de Fevereiro de 1909, na freguesia de Várzea da Ovelha e Aliviada, concelho de Marco de Canavezes, no distrito do Porto, Norte de Portugal. Veio com os pais para o Brasil com pouco mais de um ano de idade. Aqui, ganhou o apelido de Carmen - seu pai era fã da ópera do mesmo nome, de Georges Bizet - acabando por tornar-se, nos anos 30, um verdadeiro ícone brasileiro, com o nome de Carmen Miranda.
Entre 1930 e 1939, foi a maior cantora do Brasil e estabeleceu um recorde que nunca mais foi batido – gravou quase 300 músicas. Ao longo desses dez anos, lançou clássicos como “Pra Você Gostar de Mim” (seu primeiro sucesso), “Alô... Alô?”, “O Tique-Taque do Meu Coração”, “Na Batucada da Vida”, “No Tabuleiro da Baiana”, “Camisa Listrada”, “Eu Dei”, “E o Mundo Não se Acabou” e “O Que É Que a Baiana Tem”, para citarmos apenas os principais. A marchinha de Carnaval, um dos géneros mais importantes da música brasileira, praticamente surgiu na sua voz.

O seu sucesso foi tão grande, que Carmen Miranda acabou, por mérito próprio e pelas circuntâncias históricas, por se tornar estrela de cinema com fama mundial.
Em 1939, parte para os Estados Unidos, onde protagoniza espetáculos nas maiores casas de Nova York e participa em musicais de sucesso em Hollywood, como "Entre a Loura e a Morena", "Uma Noite no Rio" e "Serenata Tropical".
Uma das mulheres mais bem pagas nos Estados Unidos ao longo da década de 1940, a moda de Carmen estava então nas montras de moda da América e da Europa.
Em Agosto de 1955, Carmen sofre um ataque cardíaco fatal na sua casa, em Beverly Hills, horas depois de participar no programa de TV do comediante Jimmy Durante. Tinha apenas 46 anos. O seu corpo foi transportado para o Rio de Janeiro e sepultado no cemitério São João Baptista, em funeral acompanhado por aproximadamente 500 mil pessoas.

Chegava ao fim a vida fulgurante desta mulher de sucesso, que tinha de Portugal o sangue, do Brasil o ritmo e de ambos sentimento e o génio, cuja influência se repercutiu para além da morte - o seu estilo eclético faz inclusive com que seja considerada precursora do tropicalismo, movimento cultural brasileiro surgido no final da década de 1960. E hoje permanece viva, enquanto mito.