
Na impossibilidade de estar presente no Encontro de Rotarianos de Língua Portuguesa, que hoje se inaugurou em Belo Horizonte, o embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, enviou aos participantes, através do titular do Consulado de Portugal naquela cidade, a seguinte mensagem:
É com grande pesar que não compareço hoje à abertura do 5º Encontro de Rotarianos de Países de Língua Portuguesa, este ano realizado em Belo Horizonte, nesse magnífico Estado de Minas Gerais, por cujas cidades e ruas soa muito da alma lusófona.
Infelizmente, compromissos já assumidos em Brasília, ainda antes da fixação da data deste Encontro, impedem a minha deslocação, razão pela qual me faço representar pelo titular do Consulado de Portugal em Belo Horizonte.
Este encontro rotariano tem lugar num momento particularmente importante.
Por um lado, coincide com a organização do 21º Instituto Rotário, a mais importante reunião do universo Rotary no Brasil, que contará com a presença do presidente mundial e directores de Rotary International, para além de representantes oficiais do Estado de Minas Gerais e do próprio Governo Federal.
Mas, além disso, esta reunião coincide com um tempo de cooperação acrescida entre os países que falam Português, através da revitalização do trabalho da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), graças ao impulso dado pela Cúpula de Chefes de Estado e Governo, recentemente realizada em Lisboa.
No mundo contemporâneo, em que as tensões civilizacionais e os factores de disrupção do diálogo entre os povos parecem tomar a triste dianteira da História, os valores da solidariedade e de diálogo, que o movimento rotariano consagra, emergem como um importante núcleo de esperança.
Mais do que nunca, quando o fosso entre as culturas parece em riscos de se aprofundar, numa ilógica de irracionalidade que ameaça a paz e a sã convivência à escala global, torna-se importante sublinhar e fazer valer aquilo que a fraternidade rotariana tem na sua matriz.
Tempos houve em que, aos olhos de alguns, o discurso do movimento Rotary aparecia como algo dispensável, como mera constatação do óbvio, como um terreno de retórica que, não deixando de ter sentido, deixava, contudo, de ter urgência e, principalmente, parecia redundante.
O estado do mundo provou, contudo, que as coisas são muito mais complexas do que pareciam ser.
Tensões novas reemergiram, factores de natureza civilizacional entraram em confronto, planos de entendimento entre sociedades, que dávamos por adquiridos, acabaram por se mostrar frágeis e vulneráveis.
O movimento rotariano, na saudável matriz dos seus princípios de diálogo e fraternidade, isentos das querelas políticas e apenas tendo como finalidade o simples, mas vital, entendimento entre os povos, parece encontrar, nos dias de hoje, um espaço novo para afirmação das suas bases programáticas.
Dentro desse espaço, aqueles que falam Português no mundo, que representam uma federação de civilizações que têm a tolerância como palavra de ordem comum, que se exprimem numa língua de paz ligada por mares e por tempos imemoriais de convivência, têm hoje um claro papel a desempenhar – e devem ter orgulho em afirmar a força dessa sua identidade.
Desejo, por isso, que este Encontro de Rotarianos de Língua Portuguesa, entre os quais conto bons amigos e reconheço personalidades de grande prestígio nos diversos países que enviaram representantes, possa consagrar-se como um tempo de diálogo e reflexão, como um momento para a definição de metas bem objectivas que permitam obter, no seio dos países que falam a Língua Portuguesa, uma cada vez mais útil contribuição para aquilo que são as generosas finalidades do movimento rotariano internacional.
Por essa razão, desejo a todos um óptimo trabalho e formulo votos de grande sucesso para as actividades que vão desenvolver nos próximos dias.