Expulsão do Jesuítas marcou reestruturação do Estado português - defende historiador brasileiro
Alegoria sobre a expulsão dos jesuítas
O confisco do património dos jesuítas, que antecedeu a expulsão da ordem religiosa do Brasil no século XVIII, não teve apenas grande impacto económico para os cofres reais, mas foi também o ponto central de um amplo processo de reconfiguração do Estado português. Essa é a conclusão de uma nova pesquisa publicada na Revista Brasileira de História.
De acordo com o autor, Fabrício Lyrio Santos, professor de história do Brasil colonial na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, a expulsão dos jesuítas em 1759 não se dissocia do amplo conjunto de medidas que configuraram uma verdadeira reforma política do Estado português “a partir da qual as ordens religiosas e a Igreja foram levadas a assumir um novo papel na esfera pública e no corpo político do reino”.
“O confisco não atendeu apenas ao interesse económico da coroa em relação à suposta riqueza acumulada pelos jesuítas. Ele está ligado ao pensamento político da época, representado por intelectuais que defendiam o fim da influência exercida pela Igreja sobre o Estado e a sociedade portuguesa”, disse Fabrício Santos .
O principal desses intelectuais, segundo o historiador, foi o diplomata português D. Luís da Cunha, que sugeriu, no seu Testamento Político (1749), a diminuição do património e da influência das ordens religiosas. De acordo com o pesquisador, o confisco se iniciou antes mesmo da expulsão ter sido decretada, em 3 de Setembro de 1759.
Para ler o artigo "A expulsão dos jesuítas da Bahia: aspectos económicos", de Fabrício Lyrio Santos, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.
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