17.8.08

Inês de Castro - a época e a memória

A História portuguesa é pródiga em apresentar momentos em que o histórico e o mítico se misturam. Um desses episódios, que ocorreu em meados do século XIV, é o romance entre D. Pedro I, que se tornaria rei de Portugal em 1357, e Inês de Castro, que entrou para a história como aquela “que se tornou raínha depois de morta”. Inês foi assassinada em 1355, a mando de D. Afonso IV, então monarca português e pai de D. Pedro, que era contrário ao romance.

O tema ganhou grande expressão na cultura erudita e na memória popular, não apenas de Portugal mas também de toda a Europa, tendo sido cantado e narrado por poetas, dramaturgos, e cineastas ao longo de todo esse tempo. É a partir desse episódio – até hoje envolto em controvérsias e mitos – que um grupo de estudiosos desse facto da História e da literatura portuguesa elaborou uma série de artigos reunidos no livro "Inês de Castro - a época e a memória".

Ao abordar temas como o papel da mulher em Portugal no século XIV, a importância da Igreja e a figura de Inês na historiografia, nas artes plásticas e no teatro, a obra também traça um retrato de um país que emergia da Reconquista cristã e que lutava para manter sua independência frente a outros reinos ibéricos.

O livro também pretende, além de traçar esse perfil, auxiliar no desenvolvimento do debate entre História e Literatura. E vem preencher uma lacuna no mercado editorial brasileiro, bastante carente de publicações que tratem desse tema tão singular na história da Idade Média portuguesa – a qual, na realidade, corresponde também ao período medieval que o Brasil não teve.

Os organizadores deste livro são Ana Paula Torres Megiani, que é professora de História Ibérica da FFLCH/USP e autora do livro "O rei ausente" (Ed. Alameda) e Jorge Pereira de Sampaio, membro do Instituto do Património Artístico e Arquitectónico de Portugal.
Pode adquirir este livro no Brasil através da Editora Alameda.

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